Vejam só o que Nelito Yambi anda aí a falar:
O pão é o símbolo de partilha e união. É um alimento acessível e básico em diversas culturas, sustentando as comunidades em diferentes situações.
Em tempos idos, haviam lugares na banda onde o breda era vendido. Mesmo à distância, aquele cheiro agradável incomodava os fobados, que no ndjipela do velho cansado e distraído sacávamos alguns trocos para correr ao descorrego, fingindo entrar no kubico do Chico Chindele ou no Sabino — não o Henda! — mas sim o da banda, o pupilo do Mário Júlio, o dono da quadra e muito respeitoso.
E quando no descorrego não havia condições, fruto das manobras perigosas do Mateta, da sua mota de três rodas e da sua algema na cintura, o plano B era no Waliawenda, no beco do Manguitachi, que por causa dele muitos pães desapareciam na bacia das tias com as suas danças apoteóticas. Coitada da Joaninha, que só xingava o tempo todo. No Cavota era o lugar certo: um pão puramente de água, pesado, saudável, que nos mantinha em pé durante 40 anos na bandula.
Até o Filho do Ngana apresentou-se como o Pão — não o nosso de cada dia, mas sim aquele que satisfaz a fome espiritual e também a sede da alma.
Na Ngunga papamos ELE mesmo e, se o diácono estiver distraído, mandamos ao peito uma boa quantidade. E no Livro Sagrado encontramos o milagre da multiplicação dos pães, onde o Filho do Ngana demonstrou o Seu poder em alimentar muita gente.
O pão era o principal elemento da alimentação tanto no Novo como no Velho Testamento.
Para além do pão diário, hoje cada um, conforme a sua rotina, define a sua prioridade. Há quem, no início do dia, rebente um funge duro e quente com peixe seco; outros preferem uma jarra de ocissangua, mas na verdade é na banda onde a criança, dentro da sua rotina doméstica, mesmo empoeirada e com calças rasgadas, quando via o seu pai com sacos na mão vindo do serviço, a primeira coisa que fazia era perguntar aquilo que muitos pais não gostam de ouvir: “A papa ombolo yangue pi?”
Se não tiver o dículo, começava já…
Há vários pães com sabores diferentes. Por exemplo, o pão caseiro tem o seu sabor e o pão industrializado também tem o seu, mas tudo é pão e tudo alimenta.
O homem bantu tem a sua forma peculiar de fazer o seu pão, e quem não está habituado não tem como gostar já na primeira dentada. Verá mesmo fumo! Pode até ser desprezado o nosso, mas não nos tira a capacidade.
Lá no palácio dos que estudaram, qual pão circula então?
Se fomos colocados forçadamente na toca por dois dias sem salários, quem forneceria o bom pão?
Se não tenho apoio, como o bom pão seria conhecido?
O Mamadó ganhou espaço na banda e o seu negócio — o seu péssimo pão — é alternativa de muitas famílias distraídas que caminham próximas à cova, de tantas gorduras que este pão causa no ser humano.
Afinal, de qual pão o sobrinho alemão se referia?
Exigir o pão alemão em Angola???
“Ene Akuetu! Chindele wa vela!!!”
Na banda há bom pão, sim! Se calhar o alemão quis dizer outro mambo mais grande!
Os que bucaram e os que madam nesta Angola deviam ajudar o bom pão a circular e não deixarem que o bom se transforme em burro, a ponto de aceitarem as críticas do chindele sobre a qualidade do nosso pão que, infelizmente, continua a ser burro. Burro pode ser aquele pão, mas o outro sem espaço não é burro.
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