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A fé não falhou: é o tempo que ainda não chegou – Correio da Kianda

Em Angola, aprendemos cedo que nem tudo acontece no tempo que o coração deseja. A vida, entre a poeira das estradas longas, as filas intermináveis, os salários que atrasam e os sonhos que insistem em esperar, ensina-nos uma lição dura: a pressa cansa, mas a paciência sustenta. É nesse chão real, marcado por luta e esperança, que o ensinamento de Chico Xavier ganha corpo e sentido.

Quantas mães angolanas oram em silêncio pela melhoria da vida dos filhos? Quantos jovens pedem trabalho e dignidade, enquanto o tempo parece andar devagar demais? Quantos pais dobram os joelhos pedindo saúde, paz e pão para a mesa, mesmo quando as respostas parecem não chegar? Aqui, a espera não é teoria espiritual; é experiência diária.

Muitas vezes confundimos o silêncio de Deus com abandono. Mas, na lógica da fé, esse silêncio pode ser protecção. Deus trabalha também nas demoras: forma carácter no desemprego, fortalece a alma na escassez, ensina sabedoria na dificuldade. Há caminhos que ainda não se abrem porque não estamos prontos para atravessá-los sem nos perder.

Em Angola, querer colher antes do tempo tem custado caro. Projectos apressados, decisões sem raiz, promessas sem maturidade. A vida mostra que tudo o que cresce sem tempo cai com facilidade. O tempo de Deus, pelo contrário, constrói sem ruído, prepara sem alarde e responde quando a estrutura interior já aguenta o peso da bênção.

Esperar, aqui, não é cruzar os braços. É continuar a trabalhar, estudar, resistir e acreditar. É acordar cedo mesmo sem garantias. É educar os filhos mesmo com pouco. É manter a fé viva num país onde a esperança, muitas vezes, é o último bem que não pode faltar.

Deus não se atrasa em Angola. Ele organiza. Ajusta encontros, afasta armadilhas, prepara consciências e amadurece gerações. Muitas orações só encontram resposta quando o angolano deixa de pedir apenas mudança externa e começa a crescer por dentro.

Quando compreendemos isso, o tempo deixa de ser inimigo. Passa a ser mestre. Confiar em Deus, no contexto angolano, é aceitar que há um ritmo maior a conduzir a nossa história — pessoal e colectiva. Um ritmo que não falha, não esquece e não abandona.

Tudo chega. Não quando queremos, mas quando estamos prontos para sustentar.

Amém.

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