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Académicos defendem mais autonomia e alinhamento do ensino superior com mercado de trabalho – Correio da Kianda

Académicos angolanos defenderam, esta terça-feira, 13, a necessidade de reforço da autonomia administrativa e financeira das universidades públicas, bem como um maior alinhamento da formação académica com as exigências do mercado de trabalho, durante o programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, dedicado ao investimento no ensino superior público em Angola.

O especialista em Gestão e Administração Pública, Denílson Duro, questionou o actual modelo de gestão das instituições de ensino superior, sublinhando que a eleição de dirigentes universitários, por si só, não garante eficiência se não for acompanhada de autonomia financeira.

Segundo Denílson Duro, muitas universidades públicas dispõem de autonomia administrativa, mas continuam dependentes de governos provinciais ou de outros entes para executar os seus próprios projectos, o que compromete o seu funcionamento. O académico apontou como exemplo a Universidade Mandume ya Ndemufayo, que, apesar de possuir autonomia administrativa, não dispõe de autonomia financeira.

O especialista alertou ainda para a fraca articulação entre universidades e o sector empresarial, defendendo maior envolvimento das empresas privadas no financiamento e no aproveitamento da produção académica, além de uma formação mais ajustada às prioridades de desenvolvimento do país. Para Denílson Duro, não se justifica continuar a formar profissionais em áreas onde não existe procura efectiva no mercado de trabalho.

Também presente no debate, o académico Raimundo Kizokola chamou a atenção para as desigualdades no acesso ao ensino superior, apesar da expansão do número de instituições públicas desde 2008. Segundo Kizokola, a forte concentração de universidades em Luanda limita o acesso de estudantes noutras regiões do país, comprometendo o impacto social da formação.

Raimundo Kizokola questionou ainda a eficácia do actual modelo de formação, defendendo que o aumento do número de graduados não se tem traduzido em melhorias concretas para a sociedade e para as empresas. O académico destacou problemas ao nível dos currículos, que considera pouco ajustados às exigências do mercado, e comparou a realidade angolana com a da Namíbia, onde, segundo afirmou, os cursos são mais orientados para a componente técnica e para a empregabilidade.

No domínio do financiamento, Kizokola defendeu o aumento do investimento público directo nas universidades, maior eficiência na gestão dos recursos e a diversificação das fontes de financiamento, incluindo parcerias e fundações, à semelhança do modelo adoptado no país vizinho.

O debate reforçou a ideia de que os desafios do ensino superior em Angola vão além das infra-estruturas, passando pela governação universitária, financiamento sustentável e qualidade da formação, com impacto real no desenvolvimento económico e social do país.

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