Corpos estendidos no chão, após serem atingidos por disparos, tornaram-se uma das imagens mais marcantes da actual vaga de protestos no Irão, sinalizando uma escalada significativa no uso da força por parte das autoridades. Relatos médicos e informações recolhidas por órgãos de comunicação internacionais indicam que as forças de segurança passaram a utilizar munições reais contra manifestantes.
Um médico que presta assistência num hospital sobrecarregado descreveu ao The New York Times um cenário de “vítimas em massa”. Segundo o profissional de saúde, os feridos que agora chegam às unidades hospitalares apresentam lesões provocadas por balas e traumatismos cranianos, contrastando com fases anteriores dos protestos, em que predominavam ferimentos causados por balas de borracha.
Apesar do apagão quase total das comunicações, imposto pelas autoridades com o corte da Internet, imagens de corpos nas ruas e de edifícios públicos destruídos continuam a surgir de forma esporádica. Ambas são reais, mas têm sido utilizadas para sustentar narrativas opostas: enquanto organizações de direitos humanos denunciam repressão letal contra civis, o governo iraniano apresenta os acontecimentos como resposta a actos de violência e sabotagem.
De acordo com estimativas divulgadas pela imprensa internacional, o número de mortos já ultrapassa os dois mil, havendo fontes do próprio Ministério da Saúde iraniano que admitem que o total possa aproximar-se dos três mil. A versão oficial, contudo, evita a referência a “manifestantes”, classificando os mortos como “terroristas”.
A actual onda de contestação supera em dimensão e gravidade os protestos desencadeados após a morte de Mahsa Amini, evidenciando uma crise mais profunda, marcada não apenas pela violência nas ruas, mas também pelo controlo da informação e pela disputa sobre a narrativa dos acontecimentos.
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