A elevada dívida acumulada pelos consumidores de energia eléctrica à Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) continua a gerar preocupação entre especialistas, que defendem medidas mais firmes para travar o incumprimento, sobretudo por parte de instituições públicas.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o economista José Macuva afirmou que uma parte significativa da dívida à ENDE resulta do não pagamento por parte de instituições públicas, situação que, segundo o especialista, compromete a sustentabilidade financeira da empresa.
José Macuva defende a adopção de medidas exemplares, incluindo o corte massivo de energia às instituições em dívida, como forma de responsabilização. “É necessário que haja uma acção firme, com cortes de energia a essas instituições, para que se crie um exemplo e se promova a disciplina no pagamento”, sublinhou.
Por sua vez, a educadora social Francelina Tomás chama a atenção para o comportamento de alguns cidadãos que, segundo disse, consomem energia sem pagar e, em muitos casos, reagem com exigências quando o fornecimento é interrompido por incumprimento.
Francelina Tomás defende uma aposta séria na consciencialização cívica, sublinhando que o acesso à energia eléctrica implica o cumprimento de deveres. “Há pessoas que usam energia sem pagar e, quando o serviço é cortado, exigem a reposição imediata. É preciso educar para o cumprimento das obrigações”, afirmou.
Na semana finda, a ENDE revelou que o montante em dívida ultrapassa os 300 milhões de kwanzas, valor resultante do não pagamento por parte de consumidores domésticos, institucionais e comerciais. A empresa anunciou ainda o reforço das medidas de controlo, com especial atenção aos chamados comerciantes ilegais de energia eléctrica, conhecidos por operar através de postos de transformação (PTs).
A empresa garante que vai apertar o cerco contra estas práticas, visando reduzir perdas comerciais, melhorar a arrecadação de receitas e assegurar a continuidade do serviço em condições sustentáveis.
O cenário reacende o debate sobre a necessidade de maior rigor no cumprimento das obrigações contratuais e de políticas públicas mais eficazes para garantir a viabilidade do sector energético no país.
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