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IShowSpeed em África: o efeito da diplomacia “Via Dois” – Correio da Kianda

A chamada diplomacia “Via Dois” (Track II diplomacy) refere-se a interações não oficiais e informais entre actores não estatais — como académicos, diplomatas aposentados ou líderes da sociedade civil — com o objectivo de construir confiança, reduzir tensões e explorar soluções criativas para conflitos ou tensões do quotidiano. O conceito foi introduzido por Joseph Montville em 1981 e actua como complemento à diplomacia formal “Via Um” (Track I), ao abordar queixas subjacentes e promover uma comunicação mais eficaz entre povos e nações. 

É neste contexto que se insere a recente turnê africana de Darren Jason Watkins Jr., mais conhecido como IShowSpeed. O criador de conteúdos norte-americano realizou uma viagem de 28 dias pelo continente africano com o objectivo declarado de conhecer melhor África e desconstruir mitos historicamente perpetuados por muitos americanos sobre o continente e sobre as relações entre africanos e afro-americanos. 

Durante a sua estadia, IShowSpeed visitou cerca de 20 países, entre os quais Angola, África do Sul, Eswatini, Namíbia, Botswana, Zimbabué, Zâmbia, Moçambique, Ruanda, Quénia, Gana, Costa do Marfim, Libéria, Etiópia, Egipto, Argélia, Marrocos, Senegal, Benim e Nigéria. 

A turnê, realizada entre o final de 2025 e o início de 2026, teve um impacto significativo nas percepções globais sobre África. As transmissões ao vivo, virais e em tempo real, feitas a partir de países como Quénia, África do Sul e Nigéria, apresentaram ao mundo um retrato autêntico, dinâmico e positivo das realidades urbanas, culturais e sociais africanas, contrariando narrativas reducionistas e estereotipadas frequentemente associadas ao continente. Actualmente, IShowSpeed conta com cerca de 50 milhões de seguidores no YouTube, o que amplificou exponencialmente o alcance dessa iniciativa.

Entre os impactos mais visíveis da turnê destacam-se: 

Redefinição da percepção global: Relatórios da Financial Fortune Media e de outros meios internacionais indicam que a viagem ajudou a projectar uma imagem de uma África moderna e diversa, afastando-se da narrativa limitada centrada apenas em safáris e pobreza.

Envolvimento digital massivo: A turnê gerou mais de 1,2 mil milhões de impressões globais, com forte participação da diáspora africana nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo entre o público jovem.  

Aumento do interesse turístico: De acordo com o portal Travel Noire, a abordagem crua e não filtrada das visitas a países como Angola, Quénia, Gana e Benim despertou um interesse significativo pelo turismo local e pelas experiências culturais autênticas. 

Conexão cultural e identitária: Ao interagir directamente com comunidades locais — desde os Maasai, no Quénia, até manifestações culturais urbanas como a fiação de carros na África do Sul, IShowSpeed contribuiu para fortalecer os laços entre o continente e a diáspora africana, melhorando a percepção mútua. 

Impacto na comunicação global: A turnê evidenciou o poder das transmissões ao vivo e das redes sociais na construção de narrativas internacionais, contornando a mídia tradicional e contrariando representações estereotipadas frequentemente reproduzidas por alguns meios de comunicação, organizações e pessoas singulares.  

Diálogo intercultural: Nas redes sociais, multiplicaram-se reacções de internautas norte-americanos que relataram uma mudança de perspectiva sobre África, expressando o desejo de visitar o continente e de se conectar directamente com as populações locais, desfazendo narrativas negativas anteriormente internalizadas. 

Assim, a experiência de IShowSpeed em África pode ser interpretada como um exemplo contemporâneo de diplomacia “Via Dois”, demonstrando como actores não estatais, através das plataformas digitais, podem desempenhar um papel relevante na aproximação entre povos, na desconstrução de preconceitos e na promoção de um diálogo intercultural mais equilibrado. Ademais, a turnê evidencia o crescente papel das plataformas digitais como instrumentos de influência internacional, capazes de contornar intermediários tradicionais e de moldar narrativas globais de forma descentralizada. Nesse sentido, a experiência de IShowSpeed ilustra como a diplomacia “Via Dois” pode ser exercida por novos actores, fora das estruturas institucionais clássicas.

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