João Lourenço defende uso de activos africanos para atrair investimentos e acelerar desenvolvimento – Correio da Kianda
O Presidente da República, João Lourenço, afirmou esta terça-feira, 3, que África deve desbloquear o valor dos seus activos soberanos para acelerar o desenvolvimento económico e consolidar a agenda 2063 da União Africana.
As declarações foram feitas durante a oficialização da cimeira Global de Investimento em África, iniciativa destinada a aproximar o continente de investidores globais de forma sustentável e segura.
Segundo o chefe de Estado, a África detém cerca de 40% das reservas globais de minerais, metais e elementos raros, recursos estratégicos para a transição energética global, incluindo geração de energia renovável e sistemas de armazenamento de energia para baterias e veículos elétricos. “O nosso continente pode alimentar os sistemas energéticos de todo o mundo. As florestas e a biodiversidade tornam a natureza parte do nosso saldo global de recursos para o desenvolvimento”, destacou.
A cimeira Global de Investimento, sublinhou João Lourenço, funcionará como uma ponte institucional entre os países africanos e investidores internacionais, oferecendo previsibilidade e segurança jurídica através de regras estáveis, regimes de incentivos transparentes e contratos respeitados. O objectivo é transformar ativos estratégicos com potencial econômico em oportunidades concretas de crescimento.
O presidente também citou Angola como exemplo de rigor e transparência no fomento ao investimento. Desde 2019, o país privatizou mais de 100 empresas públicas e promoveu reformas estruturais nos setores de energia, transportes, finanças, mineração e agricultura. Entre as medidas implementadas estão a janela única do investimento e a modernização do quadro legal, garantindo proteção e transparência para investidores.
João Lourenço destacou ainda os principais activos soberanos estratégicos de Angola, o país é um dos maiores produtores de petróleo do continente e vem expandindo rapidamente o sector de energias renováveis, com meta de atingir 70% de energia renovável até 2027. O setor mineiro, rico em diamantes, ouro e minerais críticos, foi alvo de reformas que favorecem a transparência e a atratividade para o investimento. A agricultura e o agronegócio também receberam atenção, com incentivos específicos do governo.
A primeira edição da cimeira Global de Investimento em África, anunciou João Lourenço, será realizada em Noanda ainda este ano, reunindo governos, investidores e organizações multilaterais para promover oportunidades de negócio e fortalecer o desenvolvimento sustentável no continente.
O presidente concluiu que a iniciativa representa uma oportunidade histórica para África transformar recursos naturais em crescimento económico, sublinhando que a dinâmica da geopolítica mundial reforça a necessidade do continente se posicionar como protagonista do desenvolvimento sustentável global.
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