Académico alerta para fragilidade da paz sociopolítica e responsabiliza decisores públicos – Correio da Kianda
O historiador angolano Celestino Máquina considerou que um dos principais desafios actuais de Angola reside na consolidação da paz social e política, alertando para sinais de fragmentação da sociedade, resultantes de desigualdades, insegurança económica e ausência de perspectivas para o futuro.
Falando à Rádio Correio da Kianda por ocasião do 4 de Fevereiro dia do início da luta armada de libertação, o académico explicou que a instabilidade não se manifesta apenas através de conflitos armados, mas também na forma como os cidadãos procuram soluções individuais para sobreviver, muitas vezes em detrimento do bem colectivo. Segundo Celestino Máquina, a sociedade encontra-se desagregada porque cada indivíduo tenta encontrar, isoladamente, caminhos que lhe permitam sair da pobreza e da exclusão.
O historiador advertiu ainda para o agravamento de comportamentos extremos motivados pela fome, por interesses pessoais e pela busca de ascensão social. Na sua análise, a ausência de oportunidades e de garantias mínimas de sobrevivência cria um ambiente em que algumas pessoas recorrem à violência ou a práticas ilegais como forma de alcançar cargos, poder ou meios financeiros.
Celestino Máquina defendeu, por isso, a necessidade urgente de se construir uma paz social efectiva, baseada na segurança do presente e na previsibilidade do futuro. Para o historiador, a estabilidade só será possível quando os cidadãos tiverem a certeza de que o seu sustento dependerá do trabalho honesto e contínuo, sem o medo constante do dia seguinte.
O académico sublinhou que a responsabilidade maior recai sobre os políticos e os decisores públicos, a quem compete conceber e implementar políticas capazes de reduzir as incertezas sociais, garantir condições de vida dignas e tranquilizar a população quanto ao futuro.
Na visão de Celestino Máquina, enquanto persistir a insegurança alimentar, o desemprego e a falta de perspectivas, haverá sempre o risco de comportamentos que coloquem em causa a convivência social e a estabilidade do país.
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