Sassou Nguesso avança para nova candidatura e prolonga ciclo de mais de quatro décadas no poder no Congo – Correio da Kianda
O Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, anunciou a sua candidatura às próximas eleições presidenciais, marcadas para 15 de março, numa decisão que reforça a continuidade de um dos mais longos exercícios de poder político em África.
Aos 82 anos de idade, e com mais de quatro décadas à frente dos destinos do país, Sassou Nguesso confirmou a candidatura durante um comício em Ignié, no sul do Congo, perante milhares de apoiantes, encerrando as especulações em torno da sua participação no sufrágio.
O anúncio surge depois de o Partido Congolês do Trabalho (PCT), força política no poder, o ter consagrado, em congresso realizado no final de dezembro, como “candidato natural”, numa escolha que, para a oposição, reflecte a ausência de renovação política e a concentração do poder no aparelho do Estado.
As eleições presidenciais, inicialmente previstas para 22 de março, foram antecipadas para o dia 15, com a votação dos efectivos das forças de defesa e segurança a ocorrer dias antes, num modelo justificado pelas autoridades com a necessidade de garantir a ordem pública no dia do sufrágio.
Denis Sassou Nguesso governou o país sob um regime de partido único entre 1979 e 1992, período que antecedeu a abertura multipartidária. Derrotado nas primeiras eleições pluralistas por Pascal Lissouba, regressou ao poder em 1997, na sequência de uma guerra civil, consolidando desde então um ciclo político marcado por sucessivas vitórias eleitorais.
A revisão constitucional de 2015, que eliminou o limite de dois mandatos presidenciais, abriu caminho à sua reeleição em 2016 e continua a ser um dos pontos mais contestados pela oposição e por organizações da sociedade civil, que denunciam um enfraquecimento das garantias democráticas no país.
Com a nova candidatura, o Congo caminha para um processo eleitoral sob forte escrutínio interno e internacional, num contexto em que se cruzam estabilidade política, controlo institucional e persistentes críticas à falta de alternância no poder.
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