Aliados de Sissoco Embaló elogiam militares e pedem regresso do Presidente deposto – Correio da Kianda
O mandatário nacional da candidatura de Umaro Sissoco Embaló reuniu-se, esta sexta-feira, 6, em Bissau, com o Presidente da República de Transição, Horta Inta-a, num encontro que volta a expor as ambiguidades do actual processo político na Guiné-Bissau, marcado pela intervenção militar e pela incerteza institucional.
No final do encontro, João Paulo Semedo elogiou publicamente o papel das Forças Armadas, que tomaram o poder a 26 de Novembro de 2025, ao mesmo tempo que defendeu a criação de condições para o regresso ao país do Presidente deposto e agora recandidato, Umaro Sissoco Embaló.
Segundo uma fonte do Correio da Kianda em Bissau, a posição assume contornos polémicos, na medida em que reconhece e legitima a acção dos militares, enquanto reivindica o retorno de um chefe de Estado afastado na sequência da mesma ruptura constitucional. Para analistas políticos locais, o discurso evidencia uma tentativa de acomodação aos novos centros de poder, numa conjuntura em que o peso das Forças Armadas continua determinante na condução da transição.
O mesmo apelo ao regresso de Sissoco Embaló foi reforçado por figuras políticas ligadas à sua candidatura, entre as quais os antigos primeiros-ministros Braima Camara e Nuno Gomes Nabian, numa demonstração de alinhamento interno que contrasta com as dúvidas persistentes sobre a imparcialidade e a credibilidade do processo político em curso.
O propósito do encontro foi confirmado pelo próprio mandatário nacional da candidatura, em declarações à imprensa local, sem que tenham sido esclarecidos prazos concretos, garantias de segurança ou mecanismos legais para viabilizar o eventual regresso do Presidente deposto.
Enquanto isso, sectores da sociedade civil questionam se a transição liderada pelos militares está, de facto, orientada para a reposição da ordem constitucional ou se caminha para um rearranjo político que mantém intacta a influência castrense no poder, perpetuando a instabilidade crónica que tem marcado a história recente do país.
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