A colonização de Marte continua a ser um objectivo estratégico da SpaceX, mas deixou de ser a prioridade imediata de Elon Musk. O fundador e CEO da empresa aeroespacial norte-americana anunciou que o foco passa agora pela construção de uma cidade autossustentável na Lua, um projecto que considera mais rápido, exequível e crucial para garantir o “futuro da civilização”.
A mudança de rumo foi comunicada primeiro a investidores e, posteriormente, ao público em geral, através da rede social X. Segundo Musk, a ambição marciana mantém-se intacta, mas a realidade logística e temporal impõe uma abordagem faseada, começando pelo satélite natural da Terra.
“Só é possível viajar para Marte quando os planetas se alinham a cada 26 meses, com uma viagem que dura cerca de seis meses”, explicou o empresário. Em contraste, uma missão à Lua demora aproximadamente dois dias e pode ser realizada com uma frequência de cerca de dez em dez dias, o que, na sua perspetiva, torna o projecto lunar “muito mais viável” no curto prazo.
Elon Musk defende que o principal objectivo da SpaceX é assegurar a sobrevivência da civilização humana a longo prazo, argumento que sustenta a reorientação estratégica. “Podemos possivelmente alcançar a colonização da Lua em menos de 10 anos, enquanto Marte levaria mais de 20”, afirmou.
Para além da dimensão civilizacional, a proposta tem também uma forte componente económica e tecnológica. Analistas e apoiantes da iniciativa sublinham que a instalação de infraestruturas no espaço, como centros de dados, pode tornar-se mais eficiente do ponto de vista energético, sobretudo num contexto de crescimento exponencial da inteligência artificial e da necessidade de maior capacidade de processamento.
Segundo a agência Reuters, a disponibilidade contínua de energia solar no espaço é vista como uma vantagem estratégica. “No espaço, está sempre Sol”, afirmou Musk recentemente, citado pela AP News, sugerindo uma redução significativa dos custos com eletricidade face às infraestruturas terrestres.
Apesar do entusiasmo, o calendário do projecto lunar ainda não é totalmente claro. Um relatório do Wall Street Journal indica que Musk terá apontado março de 2027 como possível data para uma aterragem na Lua, embora sem tripulação humana.
Quanto a Marte, o empresário garantiu que os planos para a construção de uma cidade no planeta vermelho não foram abandonados. Segundo afirmou, o início do projecto poderá acontecer dentro de cinco a sete anos, mantendo viva aquela que sempre foi a visão mais emblemática da SpaceX.
A redefinição de prioridades marca uma nova fase na corrida espacial liderada por empresas privadas, com a Lua a reassumir um papel central como plataforma estratégica para a expansão humana no espaço.
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