O mais recente relatório do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado nesta segunda-feira, apresenta os Estados Unidos da América como o país com o pior nível de corrupção de sempre.
Segundo o estudo da transparência internacional, relativo a 2025, apesar de os desenvolvimentos de 2025 ainda não estarem totalmente reflectidos na análise divulgada, os Estados Unidos registaram uma forte queda no índice de percepção.
A análise foi feita com base na escala da organização, que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), tendo os Estados Unidos da América obtido 64 pontos.
Os Estados que se destacam pela elevada transparência e integridade do setor público têm classificações de 80 ou mais pontos, sendo a lista liderada pela Dinamarca (89), Finlândia (88) e Singapura.
A organização não-governamental (ONG) alertou os Estados com índices elevados que não estão livres de corrupção, já que apoiam, em alguns casos, a corrupção noutros países ao facilitar o branqueamento e a transferência de dinheiro proveniente de actos de corrupção, o que a análise do IPC não abrange.
Como exemplo, a organização cita a Suíça (80) e Singapura (84) que estão entre os países com melhores pontuações, que segundo fez saber, têm sido alvo de críticas por facilitarem a movimentação de dinheiro ilícito, destacaram os analistas da organização.
De acordo com o IPC deste ano, o número de países com pontuação acima de 80 diminuiu dos 12 registados há uma década para apenas cinco.
A queda registada nos Estados Unidos teve repercussões no mundo, lembrando, por exemplo, que a Lei sobre Práticas de Corrupção no Estrangeiro (que proíbe pessoas e empresas norte-americanas ou cotadas em bolsas dos Estados Unidos) tem um forte impacto em empresas internacionais, exigindo rigorosas práticas de contabilidade.
“O congelamento temporário [decidido em fevereiro de 2025, no início do segundo mandato de Donald Trump] sinalizou uma tolerância para com práticas comerciais corruptas”, apontou a Transparência Internacional no relatório.
Além disso, os cortes nas ajudas dos Estados Unidos à sociedade civil no estrangeiro “enfraqueceram os esforços globais anticorrupção”, acrescentou.
Segundo os analistas, estas decisões foram interpretadas pelos líderes políticos de outros países “como um sinal para restringir ainda mais as organizações não-governamentais, os jornalistas e outras vozes independentes”.
Por isso, a percepção da corrupção piorou também em países como o Canadá (75 pontos), a Nova Zelândia (81) e em várias partes da Europa, como o Reino Unido (70), França (66) e a Suécia (80).
“Desde 2012, 13 países da Europa Ocidental e da União Europeia [UE] apresentaram um declínio significativo [no IPC], e apenas sete melhoraram significativamente”, alertou a Transparência Internacional no mesmo documento.
Apesar do cenário, “a corrupção não é inevitável”, sublinhou o presidente da Transparência Internacional, François Valérian, citado na análise, apelando aos governos e aos líderes para que “atuem com integridade e cumpram as suas responsabilidades”.
É fundamental proteger o espaço cívico, pondo fim aos ataques a jornalistas, ONG e denunciantes, e interrompendo os esforços para restringir o trabalho independente da sociedade civil, segundo o representante.
Na última década, a interferência politizada nas operações das ONG aumentou em países como a Geórgia (50), Indonésia (34) e Peru (30), onde os governos introduziram novas leis para limitar o acesso ao financiamento das organizações e lançou campanhas de difamação e intimidação.
Nestes contextos, tornou-se cada vez mais difícil aos jornalistas independentes, organizações da sociedade civil e activistas manifestarem-se contra a corrupção, facilitando, por sua vez, a manutenção dos abusos de poder.
Foi o que aconteceu em países como a Rússia (22) e a Venezuela (10), onde a repressão da sociedade civil aumentou o número de críticos do regime obrigados ao exílio, assinalou a Transparência Internacional.
Estes ambientes restritivos não só silenciam os críticos e os órgãos de fiscalização, como também criam perigos reais para aqueles que ousam expor irregularidades, frisou a organização, referindo que “desde 2012, 150 jornalistas que cobriam temas relacionados com corrupção em zonas sem conflito foram assassinados — quase todos em países com elevados níveis de corrupção”.
Segundo o IPC, os países com as pontuações mais baixas apresentam, na sua grande maioria, sociedades civis severamente reprimidas e elevados níveis de instabilidade, como acontece no Sudão do Sul (9), na Somália (9) e na Venezuela (10).
Cenários que ameaçam os 50 países que viram as suas pontuações descerem significativamente nos últimos 13 anos, como aconteceu com a Turquia (31), a Hungria (40) e a Nicarágua (14).
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