Os acidentes domésticos voltaram a marcar de forma preocupante o quadro de atendimentos no Hospital Geral Especializado Neves Bendinha, onde, no último fim-de-semana, deram entrada 80 pacientes, entre crianças e adultos.
De acordo com a directora clínica, Antonieta Guilherme, a maioria dos casos está associada a ocorrências dentro de casa. Dos 80 atendimentos registados, 67 resultaram de acidentes domésticos, com destaque para 55 situações provocadas por líquidos superaquecidos, como água e óleo quente.
O grupo mais afectado continua a ser o infantil. Foram efectuados 16 internamentos, dos quais 11 correspondem a crianças. Entre os casos mais graves está o de uma criança de 5 anos, com 65% da superfície corporal queimada, alegadamente vítima de fogo posto em residência, em circunstâncias ainda sob esclarecimento.
Outra criança, de 9 anos, com 40% de queimaduras, permanece internada há mais de 72 horas em cuidados intensivos, quadro considerado crítico pela equipa médica.
Embora a direcção clínica não tenha avançado números detalhados sobre óbitos no período em referência, fontes hospitalares admitem que queimaduras extensas continuam a representar elevado risco de morte, sobretudo quando atingem grande percentagem do corpo ou quando há demora no socorro.
A directora clínica reforçou o apelo à prevenção, sublinhando que a cozinha permanece como o principal foco de risco. Recomenda-se maior vigilância das crianças, o uso das bocas traseiras do fogão, a eliminação de toalhas compridas nas mesas e a não conservação de combustíveis em residências.
Os números voltam a colocar os acidentes domésticos no centro das preocupações da saúde pública, num contexto em que muitos destes episódios poderiam ser evitados com medidas simples de segurança no lar.
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