A tensão entre Paquistão e Afeganistão atingiu um dos momentos mais críticos desde 2021, com troca de bombardeamentos e declarações oficiais que apontam para um cenário de confronto directo entre os dois países vizinhos.
O Governo paquistanês anunciou ter realizado ataques aéreos na madrugada desta sexta-feira, 27, contra alvos em Cabul, bem como noutras áreas estratégicas, alegando tratar-se de uma resposta a ameaças de segurança provenientes do território afegão. Do lado afegão, as autoridades lideradas pelos talibãs confirmaram os bombardeamentos, denunciando ataques em Cabul, Kandahar e Paktia.
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou numa mensagem publicada na rede social X que “a paciência esgotou-se”, declarando que o país está em “guerra aberta”. Já o porta-voz principal do governo talibã, Zabihullah Mujahid, acusou o Exército paquistanês de realizar bombardeamentos “covardes” contra áreas civis.
A actual escalada insere-se num contexto de tensão persistente desde o regresso dos talibãs ao poder em 2021, após a retirada das forças internacionais. Desde então, Islamabad tem acusado Cabul de permitir a actuação de grupos armados hostis ao Estado paquistanês ao longo da fronteira comum uma das mais sensíveis e militarizadas da região.
As autoridades afegãs, por sua vez, rejeitam as acusações e denunciam violações da sua soberania territorial. A fronteira entre os dois países, traçada pela controversa Linha Durand, é historicamente palco de disputas políticas, militares e étnicas.
Analistas alertam que um confronto prolongado poderá agravar a instabilidade numa região já marcada por fragilidades económicas, crise humanitária no Afeganistão e desafios de segurança no Paquistão. A comunidade internacional acompanha com preocupação os desenvolvimentos, temendo impactos no fluxo de refugiados e na segurança regional.
Embora ambos os lados confirmem combates nas zonas fronteiriças, permanecem divergências significativas quanto à dimensão das perdas e aos objectivos militares alcançados. Até ao momento, não há indicação de mediação formal ou de apelos públicos ao cessar-fogo por parte das duas capitais.
O episódio representa a mais séria deterioração das relações bilaterais nos últimos anos, reacendendo o receio de um conflito aberto entre dois países com histórico de rivalidade e forte interdependência geopolítica.
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