Sabias que uma decisão do Irão pode fazer disparar os preços dos combustíveis no mundo? – Correio da Kianda
Há lugares que parecem pequenos demais para carregar o peso da história. O Estreito de Ormuz é um desses pontos no mapa. Uma faixa de mar com cerca de 34 quilómetros no seu ponto mais estreito, espremida entre o Irão e Omã, mas capaz de influenciar economias inteiras.
A recente escalada militar no Médio Oriente, após a morte do Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei, voltou a colocar Ormuz sob os holofotes. E não é a primeira vez.
Nos anos 1980, durante a guerra Irão-Iraque, o estreito tornou-se palco da chamada “guerra dos petroleiros”, quando embarcações comerciais eram atacadas para estrangular economicamente o adversário. Naquele período, o mundo aprendeu que bastava uma ameaça naquele corredor marítimo para os preços do petróleo dispararem.
Mais tarde, em diferentes momentos de tensão entre Teerão e Washington, o Irão voltou a ameaçar fechar a passagem como forma de pressão estratégica. Nunca o fez de forma prolongada, mas o simples anúncio bastava para agitar os mercados internacionais.
E não é difícil perceber porquê. Cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passa por ali todos os dias. Milhões de barris saem dos campos petrolíferos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait e do Iraque, atravessam Ormuz e seguem rumo sobretudo à Ásia. Se o fluxo abranda, o impacto é imediato, sobe o preço do crude, aumentam os combustíveis, cresce a inflação.
Ormuz é descrito por analistas como um dos maiores “gargalos energéticos” do planeta. Diferente de outras rotas marítimas amplas e alternativas, ali o tráfego concentra-se num espaço limitado e vulnerável. Em caso de bloqueio militar, as alternativas logísticas são insuficientes para compensar totalmente o volume exportado.
A história mostra que cada vez que o Médio Oriente entra em ebulição, o estreito transforma-se num símbolo da fragilidade da economia global. Um conflito regional pode rapidamente transformar-se numa crise internacional.
E é aqui que a reflexão se impõe, num mundo globalizado, a estabilidade deixou de ser apenas uma questão diplomática tornou-se uma necessidade económica. Porque, no século XXI, um estreito de 34 quilómetros pode pesar mais do que muitas fronteiras.
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