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“Abandono institucional ameaça futuro da medicina tradicional em Angola”, diz naturopata – Correio da Kianda

“Apesar de ser amplamente utilizada pela população e reconhecida internacionalmente, a medicina natural continua a registar fraca valorização institucional em Angola, sobretudo ao nível do investimento público, investigação científica e integração no sistema nacional de saúde”.

A crítica é do especialista em medicina natural, Gabriel Viva, que falava em entrevista à Rádio Correio da Kianda, onde lamentou o reduzido envolvimento do Executivo, em particular do Ministério da Saúde, na estruturação e desenvolvimento deste ramo. Segundo o especialista, a ausência de unidades de produção, investigação e integração hospitalar demonstra um abandono progressivo de uma prática com forte impacto social e histórico.

Gabriel Viva sustenta a sua posição com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que num estudo realizado em 2012 indica que cerca de 80% da população africana recorre à medicina tradicional, baseada no uso de plantas medicinais, para resolver problemas de saúde. O fenómeno, sublinha, não é exclusivo de Angola, mas transversal ao continente africano.

Para o especialista, a relevância da medicina natural é reforçada pelo facto de muitos medicamentos convencionais terem origem em princípios activos extraídos de plantas. “Grande parte dos fármacos são fitoterápicos derivados das plantas medicinais”, afirmou, defendendo que a medicina moderna deve reconhecer e dialogar com o conhecimento tradicional.

O entrevistado recordou ainda que o uso de plantas medicinais antecede o período colonial, sendo uma prática enraizada há vários séculos nas comunidades africanas. Na sua visão, a ausência de políticas consistentes para o sector representa não apenas a perda de um património cultural, mas também de oportunidades científicas e económicas.

Em reacção às críticas, o Ministério da Saúde reconhece a necessidade de reforçar o exercício da medicina natural e garante estar a trabalhar para alinhar o sector com as melhores práticas internacionais, desde o diagnóstico até ao tratamento.

De acordo com Jamel Kitumba, especialista da área de Formação do Ministério da Saúde, a China tem sido um parceiro estratégico na partilha de experiências no domínio da medicina natural, acrescentando que a vasta diversidade vegetal de Angola coloca o país numa posição privilegiada para o desenvolvimento do sector.

O Ministério da Saúde defende que a medicina natural pode contribuir de forma significativa para a promoção da saúde e prevenção de doenças, motivo pelo qual prevê incluir, no seu plano estratégico de formação de recursos humanos, técnicos especializados em toxicologia, estudo e uso seguro das plantas medicinais.

Especialistas alertam, no entanto, que sem um quadro legal robusto, financiamento adequado e fiscalização eficaz, a medicina natural continuará a existir à margem do sistema formal de saúde, apesar do seu peso real no quotidiano da população.

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