A divulgação dos resultados do voto no estrangeiro, concretamente em Angola, nas eleições presidenciais portuguesas, originou uma forte reacção no espaço público angolano, com manifestações nas redes sociais e preocupações expressas em círculos políticos e institucionais.
Segundo os dados oficiais do apuramento, André Ventura foi o candidato mais votado entre os eleitores que exerceram o direito de voto em Angola, reunindo 42,06 por cento dos votos expressos, num universo reduzido de votantes. Os restantes votos distribuíram-se por António José Seguro, João Cotrim de Figueiredo e outros candidatos.
Após a publicação dos resultados, diversas figuras públicas angolanas, ligadas à classe política, ao jornalismo e ao meio cultural, reagiram publicamente através das redes sociais. As publicações questionaram o significado político do resultado, a coerência do voto de cidadãos portugueses residentes em Angola e as implicações simbólicas da escolha de um candidato conhecido pelo discurso fascista, xenófoba e racista.
Fonte próxima ao poder politico angolano, ouvida pelo Correio da Kianda considera que o resultado “é um número que não dá para ignorar”, fazendo referência à dimensão estimada da comunidade portuguesa residente em Angola e ao facto de uma parte dos votantes ter apoiado um candidato que faz oposição directa ao actual Governo português e ao partido no poder.
A mesma fonte admite que o episódio gerou inquietações nos bastidores, sobretudo quanto às leituras políticas que possam ser feitas do resultado, num contexto em que uma parte significativa da comunidade portuguesa em Angola mantém relações profissionais, empresariais ou de consultoria com instituições e empresas ligadas ao Estado.
Seguro e Ventura avançam para segunda volta nas eleições presidenciais
Crédito: Link de origem
