Arrancou nesta quarta-feira, 25, a campanha sincronizada contra a poliomielite do tipo 2 nos municípios fronteiriços entre Angola e Namíbia, que termina na sexta-feira, 27 do corrente mês de Fevereiro.
Trata-se da campanha de mobilização política, técnica e comunitária que visa travar a circulação do vírus da pólio nas zonas de fronteiras comum entre Angola e Namíbia, lançada pela ministra da Saúde Silvia Lutucuta, no município de Namacunde, na província do Cunene, numa cerimónia marcada por apelos à mobilização total das comunidades para que nenhuma criança fique por vacinar.
Da parte do governo namibiano esteve o médico Rober Nandjila, em representação da ministra da Saúde do país vizinho, Esperançe Luvindao, que sublinhou, durante a sua intervenção, que o acto reveste-se de um simbolismo significativo, pelo facto de os dois países realizarem uma iniciativa conjunta numa região onde as comunidades mantêm laços históricos, culturais e familiares.
Aquele responsável namibiano sublinhou, no entanto, que o acto é também uma demonstração clara de unidade institucional e cooperação transfronteiriça face a uma ameaça sanitária comum.
A campanha decorre de 24 a 27 de Fevereiro e tem como meta vacinar cerca de 230 mil crianças até aos 10 anos de idade, em 13 municípios das províncias do Cunene, Cuando, Cubango e Namibe.
“Enquanto houver poliovírus em qualquer parte do mundo, todas as crianças permanecem em risco. Precisamos que nenhuma casa fique por visitar e nenhuma criança por vacinar”, apelou Sílvia Lutucuta, sublinhando que a erradicação da pólio constitui uma “responsabilidade histórica e colectiva”.
A ministra recordou que Angola eliminou o poliovírus selvagem em 2011, com certificação oficial em 2015, mas advertiu que a circulação de variantes continua a ameaçar os ganhos alcançados. Em 2025, o sistema nacional de vigilância detectou 24 casos de poliovírus variante tipo 2 em sete províncias.
No mesmo período, a Namíbia identificou o vírus numa amostra ambiental no distrito de Rundu, geneticamente ligada aos casos angolanos, facto que reforçou a necessidade de uma resposta coordenada e sincronizada entre os dois países.
“As doenças não têm fronteiras”, afirmou Rober Nandjila, defendendo que a acção conjunta permite optimizar recursos, reforçar a partilha de experiências técnicas e garantir que todas as crianças ao longo da linha fronteiriça sejam protegidas.
O lançamento contou ainda com a presença do representante da Organização Mundial da Saúde em Angola, Indrajit Hazarika, bem como de representantes do UNICEF, da GAVI, da Fundação Bill e Melinda Gates e do Rotary International, parceiros que asseguram apoio técnico e financeiro à campanha.
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