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Angola entre o palco e o espelho da consciência – Correio da Kianda

Há uma frase simples, mas profundamente incómoda, que nos obriga a parar e a pensar “preocupe-se com a sua consciência, não com a sua reputação”. Em Angola, esta distinção parece cada vez mais esquecida. Vivemos tempos em que a reputação vale mais do que o carácter, em que a aparência pesa mais do que a substância, e em que o “parecer” se sobrepõe perigosamente ao “ser”.

O país não está apenas carente de recursos materiais; está, sobretudo, carente de carácter materializado em atitudes concretas. Porque carácter não é discurso inflamado, não é cargo público, não é viatura de luxo nem título académico exibido como troféu. Carácter é aquilo que se faz quando ninguém está a ver. É a coerência entre o que se diz em público e o que se pratica no silêncio dos gabinetes.

Em Angola, construiu-se uma cultura onde muitos vivem obcecados com a reputação social: o que vão dizer, como vão comentar, como vão aplaudir. Há uma corrida desenfreada para parecer íntegro, patriota, trabalhador, quando, na prática, o compromisso com o bem comum fica sempre para amanhã. A reputação tornou-se um fim em si mesma, enquanto a consciência foi empurrada para um canto escuro, tratada como um detalhe irrelevante.

O problema é que a reputação depende dos outros. Hoje elogiam, amanhã condenam. Hoje exaltam, amanhã esquecem. A consciência, não. Essa acompanha-nos todos os dias, cobra-nos coerência, tira-nos o sono quando falhamos e lembra-nos, sem piedade, quem realmente somos. Um país que ignora a consciência dos seus cidadãos, especialmente dos que decidem, condena-se a repetir erros com rostos diferentes.

Angola precisa menos de discursos bem ensaiados e mais de carácter aplicado. Precisa menos de líderes preocupados com a sua imagem pública e mais de servidores preocupados com o impacto real das suas decisões na vida do povo. Precisa menos de reputações fabricadas e mais de consciências firmes, capazes de dizer “não” quando o caminho fácil é o errado.

No fim, a história não absolve reputações, absolve ou condena consciências. E talvez o maior desafio de Angola hoje não seja melhorar a sua imagem, mas reconstruir, pedra por pedra, o carácter colectivo que transforma palavras em acções e promessas em responsabilidade. Porque o que os outros pensam de nós passa. O que fizemos com a nossa consciência fica.

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