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Desemprego ultrapassa 2 milhões no quarto trimestre de 2025, indica INE – Correio da Kianda

Angola registou 2.235.824 desempregados no quarto trimestre de 2025, segundo dados divulgados esta quarta-feira, 18, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar do número expressivo, a taxa de desemprego está fixada em 20%, reflectindo uma nova metodologia de cálculo alinhada às recomendações internacionais.

De acordo com a directora-geral adjunta do INE, Teresa Spínola, a instituição passou a adoptar critérios comparáveis aos de outros países, introduzindo a variável “procura activa de emprego”. A mudança permitiu maior rigor estatístico e comparabilidade externa, ao mesmo tempo que evidenciou uma ligeira redução da taxa de desemprego face a períodos anteriores.

Os dados apontam ainda que a maioria dos desempregados reside em zonas rurais, onde as oportunidades são mais escassas e o acesso aos centros de emprego é limitado. O relatório visa apoiar decisores políticos na formulação de políticas públicas, ao mesmo tempo que garante à sociedade acesso a informação fiável e padronizada.

Para o economista Daniel Sapateiro, os relatórios sobre emprego e segurança alimentar apresentados pelo INE acompanham a tendência de desaceleração da inflação verificada no último trimestre de 2025, bem como os ajustamentos na taxa de referência do Banco Nacional de Angola (BNA).
Ainda assim, o especialista chama atenção para a taxa de informalidade estimada em 78%, considerada elevada e com maior incidência na faixa etária entre os 15 e os 60 anos. Defende maior investimento na produção nacional, sobretudo agrícola, como estratégia para reduzir importações, travar a saída de divisas e promover maior suficiência alimentar.

Por sua vez, o economista Wilson Neves esclarece que o conceito de desemprego não se limita à ausência de trabalho, mas aplica-se a quem reúne três condições: idade activa, capacidade física e mental para trabalhar e procura efectiva de emprego. O analista insta o Executivo a reforçar políticas activas de emprego e programas sociais que estimulem directa ou indirectamente a criação de novos postos de trabalho.

Estudantes presentes no evento destacaram a importância da divulgação dos dados e mostraram preocupação com o elevado número de jovens, sobretudo mulheres, fora do mercado formal de trabalho, muitas delas dedicadas exclusivamente a tarefas domésticas.
Com mais de dois milhões de desempregados registados, o desafio da empregabilidade mantém-se como uma das principais prioridades económicas e sociais do país, exigindo políticas estruturantes e maior dinamização do sector produtivo.

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