Apesar da proibição em 2015, a mutilação genital feminina na Gâmbia continua sendo uma realidade.
A UNICEF informou que 73% das mulheres gambianas entre 15 e 49 anos ainda carregam os efeitos posteriores dessa prática, apesar de serem reconhecidas como violação dos direitos humanos pela ONU.
No terreno, a lei luta para se impor diante das tradições, Fatou Sanyang é uma das sobreviventes da excisão.
Décadas após sofrer essa violência, Fatou Sanyang, ainda se lembra desse trauma, levada à força para um lugar isolado, vendada, ela diz que só entendeu o que estava acontecendo quando ouviu os gritos das outras garotas, antes de ser mutilada também.
Apesar das consequências físicas e psicológicas, alguns líderes religiosos continuam a defender a MGF, o Imam Kalipha Dampha justifica a prática em nome da “liberdade religiosa” e da noção de “pureza” associada ao Islã, acreditando que ela é parte integrante da cultura Gambiana.
Desde a proibição de 2015, apenas dois casos foram processados, e a primeira condenação por excisão só foi proferida em Agosto de 2023, para Oumie Jagne, gerente de programas do Think Young Women Gambia, a pressão social explica a persistência da MGF: Ela é percebida como um rito de passagem para a vida adulta, uma condição para ser considerada pura, aceita e pronta para se tornar mulher.
Apesar dos esforço a lei está ameaçada novamente, Deputados recorreram à Suprema Corte para que o processo seja anulado.
O veredicto, esperado após um recurso apresentado em Dezembro passado, pode ter consequências decisivas para milhões de mulheres Gambianas.
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