Guiné-Bissau reage à União Africana: “líderes africanos devem olhar para os seus próprios contextos internos” – Correio da Kianda
O Governo de Transição da Guiné-Bissau reagiu esta segunda-feira, 16, com firmeza à recente posição da União Africana sobre a situação política no país, criticando igualmente declarações atribuídas ao Presidente de Angola, João Lourenço, que reiterou a necessidade de respeito pela ordem constitucional e condenação inequívoca de golpes de Estado no continente.
Na sua declaração, a União Africana reafirmou o princípio da intolerância a mudanças inconstitucionais de governo, sublinhando que a legitimidade do poder político deve resultar de eleições livres, justas e transparentes, reconhecidas interna e internacionalmente. O posicionamento da organização continental surge no contexto das tensões políticas registadas em Bissau e do debate em torno da transição governativa.
Em reação, o porta-voz do Governo de Transição guineense, Fernando Vaz, considerou “grave” o teor das declarações, particularmente as do Chefe de Estado angolano.
Segundo afirmou, “é ainda mais preocupante quando se sustenta a tese de que eleições, por si só, legitimam o poder e condenam golpes”, defendendo que processos eleitorais fraudulentos ou viciados configuram “golpes constitucionais”.
Fernando Vaz argumentou que eleições marcadas por irregularidades podem representar formas mais sofisticadas de subversão da vontade popular. “Um golpe de Estado pode ser feito com urnas manipuladas. É, por vezes, mais pernicioso do que o militar, porque mantém uma fachada democrática enquanto silencia a oposição e enfraquece as instituições”, declarou.
O responsável acrescentou que “quem governa sob a sombra de suspeitas de fraude não deve apontar o dedo a crises de legitimidade alheias”, numa referência indirecta a Angola. Para o Governo de Transição, antes de emitir juízos sobre a realidade política de Bissau, os líderes africanos devem olhar para os seus próprios contextos internos, incluindo desafios sociais e questionamentos institucionais.
A declaração termina com um apelo ao respeito pela soberania nacional. “A Guiné-Bissau resolverá os seus problemas entre guineenses, sem ingerências externas e sem confundir amizade histórica com vassalagem política”, sublinhou o porta-voz.
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