Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) contam agora com um Centro de Registo de Cancro (CEROPAL), inaugurado na última terça-feira, 20, em Luanda, pelo Secretário de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio.
Numa iniciativa do Ministério da Saúde de Angola, em parceria com a International Agency for Research on Cancer (IARC/OMS), a Rede Africana de Registos de Cancro, a AORTIC/PALOP, o CEROPAL, conta ainda com o apoio da Vital Strategy e do Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto).
Ao discursar na cerimónia de inauguração, Leonardo Inocêncio, em representação da ministra Sílvia Lutucuta, afirmou que a criação do CEROPAL representa um reforço da cooperação entre os países africanos de língua portuguesa e um compromisso comum com uma resposta mais organizada, científica e eficaz ao cancro, doença que continua a crescer como desafio para os sistemas de saúde da região.
De acordo com o governante, o registo de cancro é uma ferramenta essencial para o planeamento, implementação e avaliação das políticas públicas de saúde, permitindo conhecer a real dimensão da doença, definir prioridades e orientar melhor os recursos disponíveis.
“Sem dados fiáveis não há planeamento, e sem planeamento não há respostas sustentáveis”, sublinhou.
Leonardo Inocêncio destacou ainda a importância dos resultados do Censo Geral da População e Habitação de 2024, que segundo fez saber, fornecem uma base demográfica actualizada para o fortalecimento dos registos de cancro de base populacional, melhorando a qualidade das estimativas e a comparabilidade internacional dos dados.
No plano nacional, Leonardo Inocêncio referiu os avanços registados no sector da saúde, com a expansão e modernização das infraestruturas hospitalares, o reforço dos serviços especializados e a introdução de tecnologias avançadas, incluindo a cirurgia robótica.
A inauguração desta infraestrutura consta do plano geral do executivo angolano. Entre 2017 e 2025, foram construídas e apetrechadas mais de 170 novas unidades sanitárias em todo o país, maioritariamente ao nível dos cuidados primários, estando igualmente prevista a inauguração, nos próximos anos, de um hospital oncológico com 152 camas.
Durante a cerimónia, foram também destacados os progressos na oncologia pediátrica, com realce para o Centro Oncológico Pediátrico do Hospital Geral de Cacuaco – Heróis de Kifangondo, bem como o desenvolvimento do serviço especializado de oncologia da mama no Complexo Hospitalar General do Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé”, em Luanda.
Angola dispõe actualmente de núcleos de registo de cancro de base hospitalar, nomeadamente no Instituto Angolano de Controlo do Cancro, em Luanda, e de um registo de base populacional na cidade do Lubango, que contribuem para a recolha sistemática de dados clínicos e epidemiológicos.
No domínio dos recursos humanos, o Ministério da Saúde admitiu, nos últimos cinco anos, mais de 46 mil profissionais, representando um aumento de 43,6% da força de trabalho do sector.
Está igualmente em curso um plano de formação especializada de cerca de 38 mil profissionais, com o apoio de parceiros internacionais, incluindo o Brasil e o Banco Mundial.
A abertura do Curso de Registo de Cancro, que reúne participantes dos PALOP’s e de unidades hospitalares de referência de Angola, foi considerada um passo decisivo para a padronização e sustentabilidade dos registos de cancro, bem como para o reforço da cooperação regional e da partilha de conhecimento científico.
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