O Presidente da República, João Lourenço, afirmou esta quinta-feira, 5, que o Corredor do Lobito deve ir muito além de um projecto de infraestruturas, assumindo-se como um verdadeiro motor de transformação económica, integração regional e melhoria da qualidade de vida das populações.
Ao discursar na abertura da reunião de coordenação do Corredor do Lobito, o Chefe de Estado sublinhou que o objectivo do encontro não é criar novas estruturas nem acrescentar burocracia, mas garantir uma articulação eficaz entre iniciativas de instituições multilaterais, parceiros bilaterais e investidores privados, evitando duplicações e esforços paralelos que comprometam o impacto colectivo do projecto.
Segundo João Lourenço, a complementariedade entre projectos, financiamentos e reformas institucionais é essencial para maximizar resultados e acelerar a implementação do corredor, que considera estratégico para Angola e para a região.
O Presidente destacou que o Corredor do Lobito não se limita ao transporte ferroviário, devendo impulsionar o agronegócio, a transformação industrial, o fortalecimento das cadeias de valor regionais, a criação de empregos dignos, com especial enfoque nos jovens e mulheres, e garantir que o crescimento económico se traduza em benefícios concretos para as comunidades abrangidas.
João Lourenço defendeu ainda a necessidade de garantir que a espinha dorsal do corredor as infraestruturas ferroviárias, rodoviárias e energéticas esteja plenamente reabilitada e interligada, incluindo a reabilitação da componente ferroviária na República Democrática do Congo, a ligação ferroviária e rodoviária à Zâmbia e a interconexão da rede de transporte de energia de Angola com os países vizinhos.
Sem este esforço coordenado, advertiu o Presidente, a consolidação de um verdadeiro corredor de desenvolvimento integrado à economia global tornar-se-á mais desafiante.
No plano económico, João Lourenço afirmou que Angola tem registado crescimento económico positivo e sustentado, sustentado pela estabilização macroeconómica e pela diversificação da economia, paralelamente à criação de condições de previsibilidade e confiança para investimentos estruturantes de longo prazo.
O estadista destacou ainda o papel decisivo das parcerias de Angola com o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, União Europeia, Estados Unidos da América, bem como outros parceiros multilaterais, bilaterais e do sector privado, no avanço do projecto.
Como sinal concreto da passagem da visão à execução, João Lourenço anunciou que, a 17 de dezembro de 2025, foi assinado um financiamento de 753 milhões de dólares, dos quais 553 milhões de dólares da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos e 200 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da África do Sul, destinados à reabilitação e modernização do eixo ferroviário e das componentes logísticas do Corredor do Lobito.
Para o Presidente da República, este financiamento confirma a credibilidade, bancabilidade e capacidade de mobilização de recursos de longo prazo do projecto, ao mesmo tempo que impõe maior responsabilidade na sua execução, exigindo que os recursos se traduzam em obras concretas, operações eficientes, reformas executadas e resultados mensuráveis.
João Lourenço concluiu reafirmando o compromisso de Angola com a cooperação regional e a coordenação institucional, defendendo que o sucesso do Corredor do Lobito não será medido apenas por quilómetros de ferrovia ou volumes de carga, mas sobretudo pelo impacto real na vida das pessoas, classificando o projeto como um investimento em confiança, integração e futuro partilhado.
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