Março-Mulher: “o maior desafio não reside no facto de ocuparmos assentos nos nossos parlamentos” – UPA – Correio da Kianda
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher que se assinala neste domingo, 8 de Março, a Presidente do Caucus das Mulheres Parlamentares da União Parlamentar Africana (UPA), Foudda Arada Izzedine, referiu que o maior desafio das mulheres parlamentares não reside no facto de ocuparem assentos nos respectivos parlamentos, “mas em garantir que esses assentos sirvam também de plataforma para as mulheres que não têm lugar nas nossas sociedades”, sobretudo as mulheres rurais, as trabalhadoras do sector informal e as que lutam contra o analfabetismo, a falta de acesso aos cuidados de saúde básicos e ao mundo digital.
“Assim, os grandes desafios residem na necessidade imperativa de as nossas leis facilitarem o acesso das mulheres à terra e ao crédito financeiro, reduzirem a clivagem digital que exclui as nossas filhas das economias do futuro e protegerem as mulheres nas zonas de conflito, pois elas estão entre as principais vítimas das crises que assolam certas regiões do continente”, disse.
A também Deputada do parlamento do seu país, Tchade, sublinhou na mensagem enviada ao Correio da Kianda, que não se pode falar de progresso enquanto a maternidade continuar a pôr em risco a vida e a infância das raparigas for interrompida por casamentos forçados.
“Como mulheres parlamentares, esforçamo-nos por garantir que, nas nossas instituições e organizações, as intervenções femininas sejam mais tidas em conta e que a representação dos géneros seja mais importante, com o objectivo de alcançar uma maior justiça social e dignidade”, acrescentou.
Foudda Arada Izzedine exortou, por isso, as mulheres parlamentares africanas a renovarem o seu compromisso com o bem comum e a estarem na vanguarda, nas instituições, em nome das mulheres e raparigas mais desfavorecidas.
Aquela responsável não deixou de fazer referência à violência contra as mulheres, sobretudo o assédio online e vigilância, que segundo fez saber tem consequências físicas, psicológicas e económicas e leva as mulheres a retirarem-se dos espaços digitais, em particular as jornalistas e as activistas. Apenas 14% das vítimas denunciam a violência às autoridades.
8 de Março, é celebrado desde 1975 como o Dia Internacional da Mulher, instituído oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objectivo de celebrar o compromisso político e os progressos económicos das mulheres na sua luta pela igualdade salarial.
Este ano, em 2026, este dia é celebrado em todo o mundo sob o tema: ‘Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as Mulheres e Raparigas’.
“Para nós, o Caucus das Mulheres Parlamentares da União Parlamentar Africana (UPA), esta data é também uma oportunidade para uma profunda introspeção sobre o desempenho e as responsabilidades das mulheres parlamentares africanas”, reconheceu.
A Presidente do Caucus das Mulheres Parlamentares da União Parlamentar Africana (UPA), aproveitou a declaração para recordar um dos pontos-chave da resolução 18/47/ (2025), intitulada «A boa governação digital ao serviço dos direitos das mulheres», adotada durante a 47.ª Conferência da União de 2025, em Kinshasa, na República Democrática do Congo.
A responsável reiterou, por isso, a necessidade de combater a violência de género facilitada pela tecnologia e de garantir a participação das mulheres na co-definição de políticas de governação inclusivas, através da implementação de mecanismos contra a violência online, a fim de garantir um espaço digital seguro para as mulheres.
Crédito: Link de origem
