As enchentes em Moçambique danificaram quase 5.000 quilómetros de estradas, dificultando a entrega de ajuda humanitária e o retorno às suas casas.
A capital Maputo foi atingida por uma das piores enchentes em décadas, e é a região onde os esforços de socorro foram se intensificando.
No sul do país, helicópteros sobrevoam áreas inteiras englobadas pela água, procurando vítimas isoladas. Somente na província de Maputo, mais de 36.000 pessoas foram relatadas como afectadas, incluindo 13.000 em centros de recepção.
Desde o início da estação chuvosa em outubro, pelo menos 114 pessoas perderam a vida, e em todo país, mais de 500.000 pessoas são afetadas, enquanto seis continuam desaparecidas.
Os habitantes temem o retorno: “tenho medo de passar por aqui, queremos ir para casa, mas desde anteontem estamos presos deste lado, decidimos correr o risco para poder voltar”, explicou um morador.
Segundo as Nações Unidas, as torrentes de água que continuam a despejar várias vilas estão a causar uma crise humanitária.
Venâncio Mondlane pronunciou-se denunciando o estado da política de infraestrutura e saneamento do país: “nos últimos cinquenta anos desde a independência, Moçambique recebeu cinco bilhões de dólares para combater as mudanças climáticas e limpar cidades”.
Avançou que a maior parte da infraestrutura construída é de baixa qualidade: pontes que serão destruídas na próxima estação chuvosa, estradas em mau estado, apelando que quando as enchentes passarem, um plano de investimento real terá que ser implementado.
As autoridades temem um custo ainda maior com a previsão de chuvas e as agências humanitárias também alertam sobre um grande risco à saúde, especialmente para as crianças, à medida que o país entra em sua temporada de ciclones, um alerta vermelho nacional foi acionado.
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