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“Modernização tecnológica na CNE pode reduzir discurso de fraude”, defendem especialistas – Correio da Kianda

O político Alexandre Sebastião André defendeu este sábado, 14,  a modernização tecnológica do sistema eleitoral angolano como instrumento essencial para reforçar a transparência, a independência e o processamento objectivo dos dados eleitorais, sustentando que a introdução de ferramentas digitais e inteligência artificial pode reduzir suspeitas de fraude e aumentar a credibilidade dos resultados.

Durante o programa Tribuna Livre da Rádio Correio da Kianda, o responsável sublinhou que a automatização do processamento dos votos  com verificação rigorosa de máquinas, computadores e softwares  poderá diminuir a necessidade de um elevado número de comissários partidários nas assembleias e centros de escrutínio. Como referência comparativa, apontou o modelo adotado em Portugal, onde, segundo afirmou, o sistema automatizado contribui para maior eficiência operacional e menor intervenção humana direta.

Alexandre Sebastião André defendeu que a modernização deve ocorrer no seio da Comissão Nacional Eleitoral, órgão competente para o processamento dos resultados, e não no Tribunal Constitucional, cuja função é garantir o cumprimento dos pressupostos constitucionais e validar juridicamente o processo. Para o político, a CNE deve ser dotada de “toda a tecnologia, modernização e inteligência artificial”, desde que exista vontade política nacional.

No mesmo debate, o Cientista político Eurico Gonçalves lembrou que a implementação do Programa de Inteligência Artificial para a deteção de fraudes digitais poderá representar um investimento estimado em 2,4 mil milhões de kwanzas cerca de 2,6 milhões de dólares valor que, segundo explicou, visa assegurar maior lisura, estabilidade e transparência ao processo eleitoral.

Apesar do otimismo quanto ao impacto da medida, os intervenientes reconheceram que nenhum sistema eleitoral no mundo está totalmente imune a riscos de desinformação e manipulação emocional. Ainda assim, argumentam que o reforço tecnológico pode contribuir para reduzir o discurso recorrente de fraude, sobretudo em contextos políticos polarizados, aproximando Angola de práticas observadas em democracias com maior consolidação institucional, onde os resultados são, regra geral, pacificamente aceites pelos concorrentes.

A proposta, entretanto, deverá suscitar debate público quanto aos custos, à fiscalização do sistema digital e às garantias de auditoria independente, elementos considerados decisivos para que a inovação tecnológica não apenas modernize, mas também legitime o processo eleitoral perante os cidadãos.

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