O papel da banca no combate à fraude digital. O caso da validação de comprovativos no BAI – Correio da Kianda
A inteligência artificial tornou-se um factor decisivo na transformação da fraude digital. Se por um lado esta “faca de dois gumes dos tempos modernos” permite às instituições financeiras reforçar mecanismos de segurança, por outro, tem sido rapidamente apropriada por redes criminosas para criar esquemas mais sofisticados, credíveis e difíceis de detectar.
Neste novo cenário, o foco do risco deslocou-se da transacção bancária em si. Inclui agora uma multiplicidade de factores, entre os quais os documentos financeiros. Bancos de todo o mundo estão a adoptar respostas técnicas a esta ameaça estrutural. Em Angola, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) tomou a dianteira e lançou recentemente um sistema de validação de comprovativos e extractos bancários.
É uma ferramenta útil. Para saber se um comprovante é falso ou não, basta aceder ao portal do BAI, introduzir a chave e o PIN impressos no documento. Também o pode fazer em poucos segundos na app BAI Directo, através da leitura do código QR que vem no comprovativo ou extracto.
Esta medida de segurança do BAI é crucial. As ferramentas de IA tornaram a manipulação de documentos e ficheiros mais fácil (e realista) que nunca. O potencial de perigo é ainda maior em países como o nosso, onde os comprovativos de transferências e extractos bancários continuam, em muitos casos, a ser usados como prova suficiente para libertar bens, prestar serviços ou encerrar processos administrativos.
Como seria de esperar, os utilizadores aplaudem. Estudos internacionais mostram que, perante o aumento da fraude digital, os clientes do sector bancário estão cada vez mais dispostos a aceitar processos de verificação mais rigorosos. A conveniência absoluta cede espaço a uma exigência crescente de segurança comprovável.
É importante sublinhar que também do ponto de vista institucional, o sistema digital de validação de comprovativos no BAI ilustra uma evolução relevante. O combate à fraude digital deixou de ser apenas reactivo, centrado na correcção do dano após o incidente, e passou a ser preventivo. Para tal, as instituições aplicam uma série de camadas de segurança como sistemas de monitorização em tempo real, autenticação avançada e análise comportamental. Este posicionamento é coerente com a crescente responsabilização global das instituições financeiras por falhas internas que permitam fraudes praticadas por terceiros, bem como com a necessidade de proteger não só o sistema bancário, mas todo o ecossistema económico que depende da fiabilidade da informação financeira.
Há muito que o BAI entendeu esta mudança de paradigma. A ferramenta agora disponível representa uma inovação mais ao serviço do cliente e representa um sinal de maturidade do sistema financeiro digital. Desta forma, o Banco Angolano de Investimento reconhece que a segurança não termina na operação bancária, e que é preciso acompanhar passo a passo o fluxo da informação até ao seu último destinatário, o utente.
Por: Sebastião Jorge – Especialista em Tecnologia
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