O reforço do património do BAI e o sinal de maturidade do sistema bancário angolano – Correio da Kianda
A publicação do Balancete Geral do IV Trimestre de 2025 do Banco Angolano de Investimentos (BAI) confirma algo que, há algum tempo, vinha sendo percepcionado pelos analistas atentos. O BAI entrou numa nova fase de consolidação patrimonial, com impactos claros não apenas na sua rentabilidade, mas sobretudo na robustez do seu balanço e na confiança que transmite ao mercado.
O lucro recorde de 302 mil milhões de kwanzas em 2025, o dobro do registado em 2024, é, sem dúvida, um número que chama a atenção. Contudo, mais relevante do que o resultado líquido em si, é a forma como esse desempenho se traduziu no fortalecimento do património do banco no IV trimestre. Os capitais próprios cresceram 24%, passando de 713 para 940 mil milhões de kwanzas. Este salto expressivo que revela uma criação efectiva de valor empresarial.
Este crescimento patrimonial não é fruto de um único factor, mas sim de uma combinação virtuosa entre expansão do crédito, aumento sustentado da base de depósitos e maior diversificação das fontes de financiamento. O aumento de 92% no crédito evidencia uma postura mais activa do banco no apoio à economia, enquanto a captação de depósitos de clientes, que cresceu 15%, demonstra a confiança do público no BAI. Não menos importante é o facto de os recursos de clientes terem atingido 3.797 mil milhões de kwanzas, mais 141 mil milhões do que no período anterior.
Do lado do balanço, o activo líquido cresceu 11%, alcançando 5.042 mil milhões de kwanzas, enquanto o passivo aumentou apenas 7%. Esta diferença explica o reforço dos capitais próprios e confirma uma gestão equilibrada entre crescimento e prudência. A emissão de obrigações no valor de 53 mil milhões de kwanzas surge, neste contexto, como um sinal de sofisticação financeira e de acesso a instrumentos de mercado que aliviam a pressão sobre os depósitos tradicionais.
Outro aspecto que merece destaque é a melhoria contínua da qualidade dos activos. A redução do rácio de crédito em incumprimento para 4,7%, mostra que o crescimento do crédito não foi feito à custa de maior risco, mas acompanhado por critérios mais rigorosos de gestão e acompanhamento da carteira.
Em termos macroeconómicos, o reforço patrimonial do BAI tem um significado que vai além da instituição. Bancos mais capitalizados são bancos mais resilientes, capazes de absorver choques, financiar a economia real e sustentar o investimento produtivo. Num país como Angola, onde o sistema financeiro tem um papel central na diversificação económica, este tipo de evolução é particularmente relevante.
Os números do IV Trimestre de 2025 mostram um BAI mais forte, mais capitalizado e mais preparado para os desafios futuros. O aumento do património é um indicador contabilístico que evidencia maturidade institucional e confiança no futuro. Cabe agora ao banco manter esta trajectória, equilibrando crescimento, rentabilidade e responsabilidade, em benefício da economia angolana como um todo.
Crédito: Link de origem
