Papa Leão XIV reconhece ferida dos abusos na Igreja e apela à escuta e acolhimento das vítimas – Correio da Kianda
O Papa Leão XIV anunciou a realização de uma nova reunião dos cardeais no próximo mês de junho, por ocasião da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, incentivando a continuidade de um caminho de escuta mútua e de aprofundamento do conhecimento recíproco no seio da Igreja. No mesmo contexto, o Pontífice voltou a abordar uma das questões mais sensíveis e dolorosas da vida eclesial, os abusos sexuais.
Embora o tema não constasse formalmente da agenda do Consistório extraordinário, realizado nos dias 7 e 8 de janeiro, no Vaticano, o Papa considerou imprescindível trazer à reflexão dos cerca de 170 cardeais eleitores e não eleitores, provenientes de todos os continentes uma problemática que, segundo afirmou, “continua a ser uma ferida profunda na vida da Igreja em muitos lugares”.
O Consistório, centrado essencialmente nas temáticas da sinodalidade e da missão, aprovadas pela maioria dos purpurados, não impediu que Leão XIV fizesse referência direta à crise gerada pelos abusos sexuais, questão que tem sido reiteradamente denunciada pelo Pontífice ao longo dos primeiros meses do seu pontificado. A referência surgiu no discurso conclusivo dos dois dias de trabalho, cujo texto integral foi publicado no sábado, 10 de janeiro.
Para reforçar a gravidade da situação, Leão XIV partilhou o testemunho de uma vítima com quem conversou recentemente. “Ela disse-me que, para ela, o mais doloroso foi o facto de nenhum bispo querer escutá-la. Por isso, também aqui, a escuta é profundamente importante”, sublinhou o Santo Padre, reiterando a necessidade de uma Igreja mais próxima, atenta e compassiva com aqueles que sofreram.
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