O jurista e politólogo António Cahebo defendeu o reforço do diálogo político responsável como pilar essencial para o fortalecimento da democracia em Angola, alertando para os riscos de um discurso público marcado pela desinformação, radicalização e ataque sistemático às instituições do Estado.
A posição foi expressa durante o programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, dedicado ao debate sobre “O diálogo político no fortalecimento da democracia em Angola”. Na sua intervenção, Cahebo sublinhou que os intelectuais, académicos e analistas políticos têm uma responsabilidade acrescida na formação da opinião pública, sobretudo num contexto de forte influência das redes sociais e dos meios de comunicação social.
Segundo o jurista, aqueles que detêm conhecimento e capacidade de influência devem usá-los para esclarecer os cidadãos de forma rigorosa, pedagógica e responsável, contribuindo para a maturidade política da sociedade. Para António Cahebo, o debate político não deve resumir-se à identificação de erros ou à confrontação permanente, mas sim à construção de soluções e ao fortalecimento da cultura democrática.
O politólogo manifestou preocupação com práticas discursivas que, no seu entendimento, alimentam a desconfiança generalizada, incentivam a contestação desordenada e fragilizam a credibilidade dos símbolos nacionais, das instituições públicas e dos órgãos de soberania. Advertiu que esse tipo de linguagem política tende a inflamar a população e a aprofundar divisões sociais, colocando em risco a estabilidade democrática.
Defendendo uma reflexão profunda sobre o estado do debate político no país, António Cahebo considerou urgente a superação do actual modelo de comunicação política, que classificou como decadente, para dar lugar a uma nova abordagem baseada no respeito institucional, no pluralismo de ideias e na busca do consenso. Na sua perspectiva, apenas um diálogo político responsável e inclusivo poderá conduzir Angola a uma sociedade mais harmoniosa, coesa e democraticamente sólida.
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