São-tomé e Príncipe: Patrice Trovoada pretende voltar a candidatar-se a gestão do país – Correio da Kianda
O antigo primeiro-ministro de São-Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, pretende voltar a candidatar-se para a gestão do país, quando aproximas-se as datas da realização das eleições presidenciais (19 de Julho), bem como as legislativas, regionais e autárquicas (27 de Setembro).
“Serei candidato a qualquer coisa que me permita continuar a dar a minha contribuição ao meu país”, afirmou Trovoada, quando reagia à marcação das eleições no seu país, por parte do presidente da República, Carlos Vila Nova.
A decisão do Antigo chefe do governo santomense surge depois da introdução de uma moção de censura ao actual governo e num contexto de forte contestação institucional. Em entrevista à RFI, o Trovoada fala de “violação da vontade popular”, por parte do actual governo, e aponta responsabilidades directas ao chefe de Estado, garantindo que o seu partido agiu por “coerência política”.
Para Patrice Trovoada, o recente acórdão do Tribunal Constitucional, que declarou inconstitucional o decreto presidencial que ditou a demissão do seu executivo, chega tarde. “Na altura estávamos em plena crise e o tribunal podia perfeitamente ter decidido rapidamente para ultrapassarmos a situação”, afirma. Ainda assim, sublinha o alcance político da decisão: “Um governo eleito nas urnas, com maioria absoluta, foi destituído. Foi a vontade popular que foi violada”.
O antigo chefe do governo considera que, apesar de o Tribunal Constitucional ter afastado efeitos retroactivos, subsistem consequências políticas que não podem ser ignoradas. “Há consequências políticas que o Presidente da República devia assumir, mas não é o caso”, diz, admitindo que o ano eleitoral poderá trazer “uma sanção política bastante repreensiva” ao acto presidencial.
Questionado sobre o impacto desta decisão na imagem do chefe de Estado, Patrice Trovoada é directo: “Se fizéssemos hoje uma sondagem, o Presidente da República está muito mal visto pelos santomenses e por todos aqueles que defendem a democracia”. Ainda assim, destaca um sinal positivo: “Temos um Tribunal Constitucional que tomou uma decisão. Os mecanismos democráticos ainda podem resolver este tipo de crise”.
Sobre a moção de censura que vai ser apresentada, terça-feira 27 de Janeiro, pela ADI contra o actual executivo, Patrice Trovoada rejeita a ideia de contradição. “Esse governo não é do ADI”, garante. “Foi nomeado de forma ilegal, sem respeitar a indigitação do partido. É um governo de iniciativa presidencial”. Acrescenta que a direcção do partido tentou, durante meses, alinhar o executivo com a sua orientação política, “mas isso não surtiu efeito”.
Há poucos meses das presidenciais e das eleições legislativas, regionais e autárquicas, Patrice Trovoada reconhece o desgaste da classe política junto da população. “As populações têm uma péssima opinião da classe política”, admite, defendendo que todos sairão “engrandecidos” se houver clareza e responsabilidade. Quanto ao seu futuro político, não fecha portas: “Serei candidato a qualquer coisa que me permita continuar a dar a minha contribuição ao meu país. Isso, sem dúvida”.
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