O único debate da segunda volta das eleições presidenciais ficou marcado por confrontos diretos e acusações mútuas entre António José Seguro e André Ventura, com o líder do Chega a apontar anos de “silêncio” do antigo secretário-geral do PS e Seguro a acusar Ventura de transformar a campanha presidencial numa disputa partidária à direita.
António José Seguro acusou André Ventura de estar a usar o debate como se fosse uma espécie de “primárias à direita”, numa tentativa de se afirmar como alternativa ao primeiro-ministro, considerando que o líder do Chega está “na eleição errada”.
“Percebo que o doutor André Ventura esteja a fazer desta campanha eleitoral uma eleição das primárias à direita, mas quero dizer-lhe que esta não é uma eleição parlamentar”, afirmou Seguro, sublinhando que o Presidente da República não exerce poder executivo.
A resposta de Ventura não tardou. O candidato apoiado pelo Chega atacou diretamente o passado recente de Seguro, acusando-o de ter estado anos em silêncio perante os problemas do país, em particular na área da saúde.
“Não se lhe ouviu uma crítica ao estado desastroso em que o PS deixou a saúde. Teve muitos anos para falar e ficou em silêncio”, disparou Ventura, questionando a legitimidade do adversário para agora apresentar propostas.
O confronto subiu de tom durante a discussão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com André Ventura a defender o fim da direção-executiva do SNS, que classificou como um “organismo absolutamente inútil”, acusando Seguro de não ter “plano nenhum” para o sector.
Seguro respondeu acusando Ventura de confundir os papéis institucionais e defendeu que o Presidente da República deve assumir um papel de mediador político, propondo um pacto interpartidário para a saúde, a partir do Palácio de Belém.
Apesar de reconhecer pontos de contacto na valorização das carreiras dos profissionais de saúde, Ventura voltou à carga, acusando o adversário de apresentar ideias já previstas na lei e de estar a “pensar nelas pela primeira vez”.
O clima de confronto manteve-se noutras matérias, como a legislação laboral, com Seguro a admitir o veto político a diplomas do Governo caso não resultem de concertação social, e Ventura a garantir que fará tudo para travar alterações que considere prejudiciais, afirmando que “se chegar assim, não passará”.
O debate acabou marcado mais pelo choque político e pessoal entre os candidatos do que pela aproximação de posições, evidenciando duas visões opostas sobre o papel do Presidente da República e sobre o rumo político do país.
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