UNITA diz que inflação e baixos salários estão a empurrar famílias para a pobreza – Correio da Kianda
A UNITA alertou, esta quinta-feira, 22, para o que considera ser um agravamento da situação social e económica em Angola, marcado pelo aumento do custo de vida, empobrecimento das famílias e fragilização das instituições, defendendo que a função do Presidente da República deve ser a promoção do bem-estar dos cidadãos e não o aprofundamento da pobreza.
A posição foi expressa pela presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Albertina Ngolo, durante a apresentação da declaração política do partido, na Assembleia Nacional. Na sua intervenção, a deputada traçou um retrato crítico do atual contexto económico, apontando a inflação persistente e a perda do poder de compra como fatores que afetam sobretudo os trabalhadores de baixos rendimentos e a classe média.
Segundo a parlamentar, a dificuldade crescente de acesso à cesta básica e a manutenção de um salário mínimo nacional considerado baixo e setorizado contribuem para o aprofundamento das desigualdades sociais, contrariando, no seu entender, o princípio constitucional da dignidade humana.
A deputada destacou ainda dados da organização internacional World Poverty Clock, segundo os quais Angola registou um aumento significativo do número de cidadãos abaixo da linha da pobreza nos últimos anos. De acordo com a UNITA, esse número passou de cerca de 13,9 milhões de pessoas em 2017 para 18 milhões em 2021, com projeções que apontam para 20 milhões em 2030, caso se mantenha a atual tendência.
No plano social, Albertina Ngolo referiu episódios que, segundo disse, ilustram o nível de vulnerabilidade de muitas famílias, citando a procura de alimentos em contentores de lixo e lamentando a recente morte de dois adolescentes num camião de recolha de resíduos. Para a UNITA, estes casos refletem falhas profundas nas políticas públicas de combate à pobreza.
A líder parlamentar da oposição abordou também a situação do setor da educação, citando dados do Sindicato dos Professores Angolanos, segundo os quais uma parte significativa das escolas públicas carece de infraestruturas básicas como água potável, energia elétrica, bibliotecas e laboratórios.
No domínio político, a deputada denunciou o que classificou como concentração excessiva de poderes no Presidente da República e um ambiente de restrições ao exercício das liberdades fundamentais, incluindo o direito à manifestação. Criticou ainda o papel das instituições de segurança e defesa, que, no seu entender, estariam a ser instrumentalizadas para limitar o espaço democrático.
Por fim, a UNITA estendeu a sua crítica ao contexto africano, apontando fragilidades nos processos eleitorais em vários países do continente e acusando a União Africana de adotar uma postura passiva perante práticas que considera pouco transparentes.
Este novo ângulo centra-se menos na confrontação direta e mais na leitura estrutural da crise social, económica e institucional, enquadrando a posição da UNITA no debate político nacional.
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