A reverenda Deolinda Dorcas Teca reiterou, em Luanda, a necessidade de um compromisso efectivo entre instituições públicas, sociedade civil e lideranças comunitárias para garantir a proteção dos direitos da mulher, apontando-a como a principal vítima de violência em diferentes contextos sociais.
A secretária-geral da Igreja Evangélica Reformada em Angola sublinhou que, ao longo dos períodos de conflito, a mulher foi forçada a assumir múltiplos papéis, desde o apoio logístico até à sobrevivência familiar, sendo também alvo de abusos, com destaque para a violência sexual, frequentemente utilizada como instrumento de guerra.
Segundo a responsável religiosa, os efeitos dessas práticas ainda se fazem sentir no período pós-conflito, onde muitas mulheres enfrentam perdas irreparáveis e continuam a viver em situação de vulnerabilidade social e emocional.
No actual cenário, advertiu, persistem várias formas de violência, nomeadamente doméstica, económica e sexual, o que exige uma resposta mais firme das autoridades e maior consciencialização da sociedade.
Deolinda Teca apelou, por isso, à mudança de mentalidades e à valorização da mulher como pilar fundamental da família e da sociedade, defendendo políticas inclusivas e mecanismos eficazes de proteção.
Num tom de esperança, encorajou as mulheres a manterem-se firmes na defesa dos seus direitos, evocando exemplos recentes de mobilização feminina, como a contestação à exposição da estátua “Mwana Pwo”, considerada por muitas como atentatória à dignidade da mulher.
A intervenção ocorreu durante uma palestra internacional promovida pela Fundação Jonas Malheiro Savimbi, sob o lema “Direito, justiça e acção para todas as mulheres no mundo”.
Crédito: Link de origem
