Jurista William Tonet considera julgamento do caso “russos” uma acção com fins políticos – Correio da Kianda
O advogado de Oliveira Francisco, conhecido por Buka Tanda, arguido no processo n.º 2024/26, relacionado com alegados actos preparatórios de um golpe de Estado em Angola, denunciou supostas violações dos direitos fundamentais durante o transporte do seu constituinte para o tribunal.
De acordo com o advogado David Guz, o arguido terá sido transportado num veículo sem ventilação, situação que, segundo a defesa, levanta dúvidas sobre a imparcialidade do processo e pode indiciar a existência de uma decisão previamente preparada.
“A situação foi alterada apenas depois da entrada, no mesmo veículo, de um outro co-arguido de nacionalidade russa, momento em que os agentes ligaram o sistema de ar condicionado”, disse o causídico.
Sobre o assunto, o jurista William Tonet, disse nesta quarta-feira, 25, à Rádio Correio da Kianda que, é inadmissível que o tribunal que está no limite da prisão preventiva adie uma sessão de julgamento por razões de questões prévias.
Por isso, William Tonet, diz não ter dúvidas de que o processo é uma farsa, com objectivo de sacrificar pessoas vítimas por uma opção política.
O jurista é de opinião que o sistema jurídico angolano está em barbárie, e alega que alguns magistrados alinham nesse diapasão, o que belisca a imagem de muitos administradores da justiça.
Referir que face às questões apresentadas pela defesa, o tribunal decidiu adiar a audiência, tendo a continuação do julgamento sido marcada para o dia 14 de Abril.
Entretanto, no plano processual, os advogados de defesa levantaram questões prévias e solicitaram que várias figuras políticas fossem ouvidas como testemunhas, entre elas Julião Mateus Paulo, Higino Carneiro, Adalberto Costa Júnior, Paulo Lukamba e Nelito Ekuikui.
Na próxima sessão, o Ministério Público deverá pronunciar-se sobre os pontos levantados pelos advogados durante a audiência desta terça-feira, 24.
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