O membro da sociedade civil em Benguela, Francisco Rasgado, considera que a situação das populações afectadas pelas recentes inundações continua “fora de controlo”, mesmo após a visita do Presidente da República à província.
Segundo o activista, muitas famílias que perderam as suas habitações permanecem em condições precárias, sem resposta adequada por parte das autoridades. Rasgado reconhece que tem havido acções de solidariedade por parte de cidadãos e organizações locais, mas sublinha que o apoio prestado é ainda insuficiente para dar resposta à dimensão da crise humanitária.
O também ex-funcionário da Organização das Nações Unidas recorda que, em 2015, foi realizado um estudo técnico que já alertava para o risco de inundações na região, recomendando a realização de trabalhos de desassoreamento dos rios e reforço das infra-estruturas de contenção. No entanto, de acordo com o mesmo, tais medidas não foram devidamente implementadas.
Especialistas em gestão de riscos e ordenamento do território têm defendido que a falta de manutenção de bacias hidrográficas incluindo o desassoreamento contribui significativamente para o agravamento das cheias. A própria Organização das Nações Unidas sublinha, em relatórios sobre redução de risco de desastres, que intervenções preventivas e planeamento urbano adequado são determinantes para minimizar perdas humanas e materiais em cenários de chuvas intensas.
As declarações de Francisco Rasgado surgem numa altura em que o Executivo anunciou medidas estruturais para mitigar futuras inundações, nomeadamente intervenções nos principais cursos de água da província, uma promessa que agora é acompanhada por crescentes exigências de responsabilização e acção efectiva no terreno.
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