A vila da Muxima está a transformar-se numa rota de fuga para camiões com excesso de carga que procuram contornar o sistema de pesagem instalado na ponte da Barra do Kwanza, no Icolo e Bengo, numa prática que especialistas dizem expor fragilidades na fiscalização rodoviária e levanta preocupações sobre a segurança das infra-estruturas.
A constatação foi feita esta quinta-feira, 26, pelo Correio da Kianda, durante uma deslocação ao local, onde foi possível observar um fluxo intenso de veículos pesados em direcção à ponte da Cabala, no município da Quiçama. O percurso tem sido utilizado como alternativa por transportadores que evitam a balança instalada na portagem da Barra do Kwanza.
Moradores e comerciantes da zona confirmam o aumento da circulação de camiões, sobretudo em horários de menor controlo. “Antes víamos poucos camiões por aqui, mas agora passam muitos, principalmente à noite”, relatou Manuel António, comerciante local. Já uma outra residente, que preferiu não se identificar, alertou para os riscos associados à prática. “Esses camiões vêm muito carregados e andam em alta velocidade. Temos medo de acidentes”, disse.
No terreno, agentes de trânsito também admitem que o desvio se tornou recorrente. “É a alternativa encontrada para quem transporta carga acima dos limites permitidos”, reconheceram, acrescentando que muitos operadores preferem evitar a fiscalização a reduzir o peso transportado.
O fenómeno não é novo e já foi alvo de denúncias anteriores, mas continua a persistir, revelando fragilidades no controlo das rotas secundárias. Enquanto a ponte da Barra do Kwanza apresenta sinais de desgaste, incluindo fissuras que motivaram restrições, o desvio de camiões sobrecarregados transfere a pressão para a ponte da Cabala.
O engenheiro hidráulico consultado pelo Correio da Kianda, alerta que a circulação contínua de veículos pesados acima do permitido pode acelerar a degradação das infra-estruturas e aumentar o risco de acidentes. Caso o padrão se mantenha, a ponte da Cabala poderá enfrentar, a médio prazo, problemas semelhantes aos registados na Barra do Kwanza.
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